Aos Navegantes:

Sabotador de Satélite é: Música Política Cultura & Nhe Nhe Nhem!
Deixo bem claro que não sou Hospedeiro - nessa página não há nada fora dos conformes, a princípio; só os links de acesso aos materiais indicados - sou apenas um Parasita. Olhem, bebam, desfrutem, rechacem!
(No más, a coisa ainda tá em construção...)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Rimbaud


"Traguei um bom gole de veneno - seja três vezes abençoada minha resolução! Minhas entranhas ardem. A violência do veneno contrai-me os membros, desfigura-me, arroja-me ao chão. Morro de sede, sufoco, não posso gritar, é o inferno, as penas eternas! Vede como o fogo se levanta! Queimo-me como convém. Vai, demônio!


- Rimbaud (1854-1891) - "Noite no Inferno"

domingo, 4 de outubro de 2009

La Negra Partiu


Abri a Internet hoje à tarde, 04 de outubro de 2009 e vi a manchete – La Negra partiu. Senti uma melancolia e uma porção de lembranças – lembranças de sentimentos. Mais uma morte... Sinto minhas utopias morrendo e, com certeza, hoje, mais uma parte delas também morreu.
Quando eu tinha 5 anos meu pai levou-me a um festival da canção ou coxilha, não sei ao certo, só sei que tinha uma cantora gordinha, com longos cabelos pretos. Parecia uma índia – e era. O pai me disse “Essa é a Mercedes Sosa, uma cantora argentina”. Não tenho lembrança de vê-la cantando, porque dormi durante o show, e nem sabia o que significava “argentina”, mas eu fui num show de Mercedes Sosa e depois descobri tudo.
Cinco mais dez e eu comprei um Cd de La Negra (hoje tenho toda a discografia). Agora sim eu sabia quem era a dita cantora e qual o significado de sua trajetória para a América Latina – América Latina, que palavra mais linda – “Nossotros somos la América Latina, somos uno, americana Pátria morena de vida e lucha compañeiro”. Na juventude (não que não seja mais), comecei a militância. E um militante que não conhece música latina não é verdadeiramente militante. È preciso que corra nas veias, a utopia libertária e a revolução sobre todas as coisas. É lógico que não nasci no período de chumbo, mas todos os sonhos deste período permearam a minha e outras vidas militantes de esquerda. Mercedes Sosa trouxe em suas músicas, letras que são um tributo a todos os amantes da liberdade e da solidariedade. Ela cantou para todos os irmãos latinos – “todos juntos”. Lutou no período de chumbo argentino, contra a ditadura em seu país e veio diversas vezes ao Brasil compor com Chico Buarque, Caetano, Beth Carvalho, Milton Nascimento e outros – lado-a-lado vozes contra os regimes militares; timbres fortes e letras irreverentes marcaram e ainda marcam a vida de muitos sonhadores.
Convicções – aprendemos o que é convicção, aprendemos o que é democracia e aprendemos o que é luta social. Quantas milongas cantamos de punhos cerrados ao ar querendo revolucionar o mundo e protestar contra o regime estadunidense. Mercedes Sosa foi um estímulo em minha vida, sem suas músicas não saberia o que é militância. Sou uma apaixonada por música e a música desta mulher povoou as minhas fantasias... Também queria ter um “unicórnio azul”; e em “Cancion para Carito”, ficava imaginando “que em Buenos Aires os sapatos são modernos”; com “Alfonsina y el Mar”, “viajei” diversas vezes com o som do piano e a letra por demais triste – uma despedida e assim conheci a poeta argentina Alfonsina Stormi; conheci León Gieco, conheci Violeta Parra, Bertold Brecht e aprendi, parcamente, o espanhol. Além de ouvir pela primeira vez a expressão “Luta Campesina”. E assim cantamos nos acampamentos do MST, e ocupamos nossas terras com facões e paus em punho “como pájaros libres” – “El grito de la tierra”.
Para aqueles que ainda lutam e que ainda acreditam na revolução (resistem), La Negra deixará muita saudade. Ela inspirou a “esquerda”, se é que ainda podemos chamar de esquerda, pois estamos muito mais para “esperança aos pobres prometida”. Não sei o que somos agora. Eles representaram algo... Nós ficamos à sombra de tudo. Digo, então, que a “esquerda” perdeu um braço – braço de poesia, de sonho e utopia. Mas a luta continua, a luta social é interminável, hermano. Fica a herança cultural inestimável. Lamento, mas o tempo passa e em cada abraço se perde sempre um pedaço. Deixemos que nos embale o consolo de pensar em unicornios, flores azuis, habitantes do fundo do mar e os sonhos inconscientes de Mercedes Sosa, pois ela cantou também o inconsciente. Letras carregadas de folclore, mitos e signos de sua cultura. Tambores cubanos e africanos, dialeto indigena e canto latino americano, uma mistura de ritmos permeada pelo sonho de liberdade. Viva la Terra! “Vengo a ofrecer mi corazón - Corazón Americano. Hasta la victoria, posto que traigo un pueblo en mi voz. Mas si se calla el cantor, calla la vida”.

PARA SABER MAIS:

* http://pt.wikipedia.org/wiki/Mercedes_Sosa

* http://www.mercedessosa.com.ar/marcosmaster.htm

* http://mercedessosamusica.blogspot.com/

* http://www.geocities.com/TheTropics/9580/

domingo, 5 de julho de 2009

Music of the Crusades - 1970


Music of the Crusades - 1970
The Early Music Consort of London - David Munrow

1 - La quinte estampie realeAnon., French 13th century oriental shawn, nakers JB

2 -Pax in nomine Domini! Marcabru first crusade / 1137 tenor solo, chorus, treble & bass rebecs 3 - Parti de malAnon., French third crusade / 1189 counter tenor JB, citole

4 - Chevalier, mult estes guarizAnon., French second crusade / 1147 baritone solo, chorus, recorder, treble & bass rebec, tabor CH

5 - Chanterai por mon corageGuiot de Dijon third crusade / 1189 soprano, flute, lute, bass rebec, harp

6 - Danse RealAnon., French 13th century bagpipes solo

7 - Sede, Syon, in pulvereAnon., French c. 1195tenor solo

8 - PalästinaliedWalther von der Vogelweide sixth crusade / 1228 counter tenor JB, lute, harp

9 - Condicio - O nacio - Mane primaAnon., French 13th century 2 counter tenors, treble & bass rebecs, crumhorn, nakers CH

10 -O tocius AsieAnon., French crusade of 1248 2 counter tenors, treble & bass rebecs, organ

11 - La uitime estampie realeAnon., French 13th century treble rebec solo, bass rebec, citole, tabor JB

12 - Cum sint difficiliaAnon., French crusade of 1248 tenor, baritone, bells, organ

13 - Li noviaus tensLe Châtelain de Coucy third crusade / 1188-91 counter tenor JB, recorder, lute, bass rebec, harp

14 - Fortz chausa esGaucelm Faidit lament in the death of Richard Coeur-de-Lion 1199 tenor, bass rebec, lute, harp

15 - Je ne puis - Amors me tienent - VeritatemAnon., French 13th century 2 counter tenors, medieval bells, crumhorn

16 - Ahi! AmoursConon de Béthune third crusade / 1188tenor, treble & bass rebec, lute, tabor CH

17 - La tierche estampie realeAnon., French 13th century bass rebec solo, treble rebec, lute, tabor JB

18 - Ja nus hons prisRichard Coeur de Lion song of captivity 1194 counter tenor JB, harp

19 - Au tens plain de felonnieThibaut de Champagne crusade of 1239I. tenor, lute, treble rebecII. recorder, lute, rebec, tabor CH

Músicos Christina Clarke (soprano), James Bowman (countertenor), Charles Brett (countertenor), Nigel Rogers (tenor), Geoffrey Shaw (baritone), David Munrow (recorder, flute, shawn, crumhorn & bagpipes), Eleanor Sloan (treble rebec), Oliver Brookes (bass rebec), James Tyler (lute & citole), Gillian Reid (bells), Christopher Hogwood (harp, organ, nakers & tabor), James Blades (nakers & tabor)
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Esta é uma gravação da década de 70 – antiga..., mas o senso de ritmo e da sinceridade da execução ultrapassa décadas e claro, séculos. Neste disco há intérpretes que se tornarão famosos depois.
Para quem gosta de música medieval não pode deixar de fazer essa audição. E para quem procura coisas diferentes e adora umas traças entre os troços e só pegar e sair roendo.
É música “medieval sacra”, cristã, sei lá. Só sei que em honra ao paganismo é que não é.
O mais bacana é a pegadinha, saca só:
“Este disco foi gravado na época das cruzadas, lá pelos idos de 1095 e 1270. Sucessos da época que abrilhantavam as pilhagens e assassinatos cometidos em nome do cristianismo e do Papa”. Que belo!
As cruzadas, para quem não sabe, foram expedições militares organizadas pelos cristãos europeus para propagar o cristianismo, combater os muçulmanos e cristianizar territórios da Ásia Menor e Palestina e claro, abrir rotas comerciais terrestres pelo oriente; conquistar novos territórios e formar alianças para derrotar concorrentes feudais. Foram oito (8) o número de cruzadas. Eram formadas por reis, príncipes, cavaleiros, Papas. A primeira cruzada foi comandada pelo Papa Urbano II.
A trilha sonora cult, reproduzida ao som da flauta suave e encantadora nos da a dimensão desses momentos maravilhosos das cruzadas. Tudo bem, mas podemos pensar, também, nos cavaleiros templários em busca do Cálice Sagrado e dos momentos cundalines entre uns e outros templários. Mas só os iluminatis tem permissão de revelar o segredo. Imagina um cavaleiro templário tentando encontrar o ponto cundaline de outro cavaleiro, hum, que delícia, ainda mais ao som do tamborzinho e da flautinha, quase pagã.
Fora isso tudo que escrevi, o som é magnífico, para espíritos refinados, arrogantes e narcíseos. Aproveitem!
Qual seria a trilha sonora das cruzadas atuais – Palestina/Israel; Irã/Afeganistão; Iraque/EUA; entre outras???

SABOTADOR DE SATÉLITE diz: abaixa aqui a cruzada!

Este material foi contrabandeado do blogui: Criatura de Sebo

Visite o Homem Traça você também, tem coisas ótimas por lá, só não deixa a criatura te comer.
Nas palavras da Criatura de Sebo:
"Com a modernage internética, se você quer conhecer: baixa e ouve - se tem grana: compra - se não tem... a traça come”!
"Aproveite e dê sua roidinha!
Viva a brodagem blogueira!”

sábado, 13 de junho de 2009

15 Anos do Genocídio Em Ruanda na África

"PARA QUE NÃO SE ESQUEÇA
PARA QUE NUNCA MAIS ACONTEÇA!"
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Ocorreu em nossa época um dos maiores massacres da história humana: entre abril e julho de 1994, durante cem dias, estima-se (aproximadamente, pois o número pode ser maior) que 800 mil a 1 milhão de pessoas foram mortas em Ruanda, na África. Uma espécie de guerra civil num contexto de rivalidade étnica com objetivos claros de eliminar todo um povo.
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Distinguem-se em Ruanda dois grupos étnicos: a maioria hutu e o grupo minoritário de tutsis. A matança em Ruanda foi perpetrada pela maioria hutu contra a minoria tutsi. Para compreender melhor esse genocídio é aconselhável conhecer a história social e política de Ruanda, vá para wikipédia.
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O filósofo Bertrand Russell descreveu a situação em Ruanda como “o mais horrível e sistemático massacre que tivemos ocasião de testemunhar desde o extermínio dos judeus pelos nazistas”.
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Declarações explicitamente racistas eram toleradas nos meios de comunicação. A mídia local (rádio e jornal) instigou e apoiou o movimento hutu na matança dos tutsi. Nos anos 90 o meio de comunicação mais popular em Ruanda era o rádio. Este meio de comunicação foi usado na preparação do terreno para o massacre. Há exemplo do que a mídia local divulgava cito “Os Dez Mandamentos hutus”, que circularam amplamente e tornaram-se muito populares. O “oitavo mandamento”, o mais citado, dizia: “Os hutus têm de parar de sentir pena dos tutsis”. A propaganda racista também era divulgada em comícios de “conscientização”.
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As tropas das Nações Unidas não se mobilizaram e ofereceram pouca resistência aos assassinos. Por toda Ruanda, estupros e saques em massa acompanharam a matança. Centenas de milhares de hutus trabalharam como assassinos em turnos regulares. Todos foram chamados a caçar o inimigo. Houve massacres em escolas, hospitais e até mesmo em igrejas. Numa delas, localizada na montanha rochosa de Nyarubuye, dezenas de corpos cobriam o chão treze meses após a chacina. Em Mugonero, sete pastores (que estavam num hospital com duas mil pessoas que seriam atacadas) escreveram uma carta ao superior deles, na qual constava a expressão título de um livro do jornalista Gourevitch: “Desejamos informar-lhe que soubemos que amanhã seremos mortos junto com nossas famílias”.
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Na discussão sobre a justiça em Ruanda, o jornalista Gourevitch cita a questão da verdade objetiva: “A guerra a respeito do genocídio era uma autêntica guerra pós-moderna: uma batalha entre, de um lado, os que acreditavam que, já que as realidades que habitamos são construções da nossa imaginação, elas são igualmente verdadeiras e falsas, válidas e inválidas, justas e injustas, e, do outro lado, os que acreditavam que as construções da realidade podem – aliás, devem – ser julgadas como certas ou erradas, boas ou más. Enquanto os debates acadêmicos sobre a possibilidade da verdade objetiva são freqüentemente abstratos a ponto de atingir o absurdo, Ruanda demonstrou que se trata de uma questão de vida ou morte” (p. 302).
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Houve uma longa preparação para o genocídio. Em 1994, Ruanda era vista como um caso de caos e anarquia associados a Estados em colapso, mas, como escreve Gourevitch, “o genocídio era o produto da ordem, do autoritarismo, de décadas de teoria e doutrinação política moderna, e de um dos Estados mais meticulosamente administrados da história” (p. 114). O autor, também, comenta a afirmação de que o assassinato em escala industrial do Holocausto põe em questão a noção de progresso humano e de que sem toda aquela tecnologia os alemães não poderiam ter assassinado todos aqueles judeus. Entretanto, foram os alemães, não as máquinas, que realizaram a matança, sustenta Gourevitch. Em Ruanda, o subdesenvolvimento tecnológico não foi obstáculo ao genocídio: o povo era a arma; a população hutu inteira tinha de matar a população tutsi inteira, de acordo com os líderes do Poder Hutu.
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O Conselho de Segurança da ONU não foi capaz sequer de aprovar uma resolução que contivesse a palavra genocídio. A incompetência da ONU para resolver a crise em Ruanda é algo que deve ser sempre lembrado. Também é revoltante a escandalosa cumplicidade das autoridades políticas e militares da França na preparação e implementação da carnificina.
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O genocídio foi financiado, pelo menos parcialmente, com o dinheiro apropriado de programas de ajuda internacionais, tais como o financiamento fornecido pelo Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional sob um Programa de Ajuste Estrutural. Estima-se que 134 milhões de dólares foram gastos na preparação do genocídio em Ruanda – uma das nações mais pobres da terra – com 4,6 milhões de dólares gastos somente em facões, enxadas, machados, lâminas e martelos. Estima-se que tal despesa permitiu a distribuição de um novo facão a cada três varões Hutus.
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O Primeiro Ministro de Ruanda, Jean Kambanda, revelou que o genocídio foi discutido abertamente em reuniões de gabinete, e uma ministra de gabinete disse que ela estava "pessoalmente a favor de conseguir livrar-se de todo os Tutsis... sem os Tutsis todos os problemas do Ruanda desapareceriam".
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Quero lembrar que vários pastores e missionários da Igreja Adventista do Sétimo Dia (é muito comum as missões religiosas espalhadas por vários pontos do Continente Africano), também, contribuíram com as chacinas nos vilarejos onde “pregavam a palavra de deus”.
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Quase cada uma das mulheres que sobreviveram ao genocídio foram violentadas. Muitos dos 5.000 meninos nascidos dessas violações foram assassinados. Talvez nunca se venha a saber quantos mortos o genocídio provocou. Calcula-se entre 800.000 e 1.000.000. Se forem 800.000 equivaleriam aos 11 por cento do total da população e 4/5 dos tutsis que viviam no país.
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Passados 15 anos, ainda existem casos para serem julgados por crimes contra a humanidade e os filhos de Ruanda, muitos órfãos, terão sempre e sempre a marca da dor. É interessante pensar que nos lembramos facilmente dos campos de concentração Nazistas e os horrores praticados pelos alemães – a Europa está sempre presente nos livros de história, a América do Norte, a Mãe Heróica. E o Continente Africano...? Só nos lembramos dos escravos e das savanas. A África é a mãe da humanidade e está morrendo, por que o homem branco e desbravador dos mares sugou até a última pepita de dignidade destes povos. A África virou o lixão do mundo capitalista e neoliberal. È bom lembrarmos disso nesse momento pré copa do mundo, futebol e muita tv, agora a África existe, com muitos pretos na frente da tela dos olhos brancos.
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O Jardineiro Fiel

quinta-feira, 11 de junho de 2009

PELA VIDA, PELA PAZ/ TORTURA NUNCA MAIS


Sugestão de vídeo no youtube: (Bem bacana vale a pena conferir)




O vídeo DITADURA, NUNCA MAIS é um panfletão eletrônico de 5 minutos. A sua construção observou três eixos:

1- A memória da Ditadura Militar no Brasil
2- A necessidade de se manter uma constante vigilância para se garantir a liberdade e a democracia
3- Mostrar que a luta continua:

PELA CONSOLIDAÇÃO DA DEMOCRACIA:

- Abertura de todos os arquivos da repressão
- Responsabilização dos torturadores e assassinos da ditadura
- Instalação de uma Comissão da Verdade e da Justiça
- Pela descriminalização dos movimentos sociais

CONTRA A EXCLUSÃO SOCIAL:

- Por Justiça e pelo pão
- Pela Reforma Agrária
- Por saúde e educação


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Letra, música, interpretação e roteiro - NARCISO PIRES
Arranjo - Ederson Renaud
Direção de vídeo - Luiz Gaparovic

Narciso Pires é Presidente do Grupo Tortura Nunca mais - Paraná.
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Visitem o site:

Revista Caros Amigos – Ed. 146 - Maio 2009


Caros Amigos - Depressão na Sociedade do Vazio - Entrevista com a Psicanalista Maria Rita Kehl.
E mais...


Marilene Felinto rende homenagem à amiga querida Thaís S. Pereira.

Glauco Mattoso Porca Miséria.

Georges Bourdoukan considera legítima a resistência contra o Estado de Israel.

José Arbex Jr. fala do golpe da oligarquia Sarney contra Jackson Lago.

Gilberto Vasconcell os recorre a Darcy Ribeiro para interpretar Obama.

Marcos Bagno Falar Brasileiro.

Ferréz retrata o agito na favela para a instalação dos relógios de luz.

Renato Pompeu e suas Memórias de Um Jornalista Não-Investigativo.

João Pedro Stedile insiste que a crise é estrutural e precisa ser debatida.

Tatiana Merlino Por que a Justiça não consegue punir os ricos e poderosos.

Eduardo Suplicy recorre ao filósofo Philipp e Van Parijs para defender a renda.

A na Miranda comenta ensaio de Viveiros de Castro sobre a alm a indígena.

Hamilton Octavio de Souza, Entrelinhas.

Cesar Cardoso disseca os valores e a realidade da sociedade de consumo.

Entrevista com Brizola Neto A luta para regular o nióbio nacional.

Frei Betto critica a cegueira do G-20 no trato com a miséria.

Gershon Knispel lembra os monumentos dedicados às vítimas das guerras.

Fidel Castro pede a Barack Obama medidas para a suspensão do bloqueio.

MC Leonardo desvenda a ligação do jogador Adriano com a favela.

Ulisses Tavares acha que casamento é uma coisa e amor é outro troço.

Guilherme Scalzilli denuncia o cartel que extermina o futebol brasileiro.

Marcelo Salles Prefeitura aumenta a repressão aos pobres no Rio de Janeiro.

Plínio Teodoro A mídia grande abafou o caso da Camargo Corrêa.

Carolina Rossetti e Felipe Larsen Cultura debate Lei Rouanet e Profic.

Entrevista com José Padilha “Garapa” relata a fome por quem passa fome.

Emir Sader defende propostas concretas de substituição do modelo neoliberal.

Renato Pompeu, Idéias de Botequim.


Servidor: EasyShare

Idioma: Português

Tamanho: 7 mb

Formato: .Rar


quinta-feira, 7 de maio de 2009

A gripe dos porcos e a mentira dos homens


Mauro Santayana

O governo do México e a agroindústria procuram desmentir o óbvio: a gripe que assusta o mundo se iniciou em La Glória, distrito de Perote, a 10 quilômetros da criação de porcos das Granjas Carroll, subsidiária de poderosa multinacional do ramo, a Smithfield Foods. La Glória é uma das mais pobres povoações do país. O primeiro a contrair a enfermidade (o paciente zero, de acordo com a linguagem médica) foi o menino Edgar Hernández, de 4 anos, que conseguiu sobreviver depois de medicado. Provavelmente seu organismo tenha servido de plataforma para a combinação genética que tornaria o vírus mais poderoso. Uma gripe estranha já havia sido constatada em La Glória, em dezembro do ano passado e, em março, passou a disseminar-se rapidamente.
Os moradores de La Glória – alguns deles trabalhadores da Carroll – não têm dúvida: a fonte da enfermidade é o criatório de porcos, que produz quase 1 milhão de animais por ano. Segundo as informações, as fezes e a urina dos animais são depositadas em tanques de oxidação, a céu aberto, sobre cuja superfície densas nuvens de moscas se reproduzem. A indústria tornou infernal a vida dos moradores de La Glória, que, situados em nível inferior na encosta da serra, recebem as águas poluídas nos riachos e lençóis freáticos. A contaminação do subsolo pelos tanques já foi denunciada às autoridades, por uma agente municipal de saúde, Bertha Crisóstomo, ainda em fevereiro, quando começaram a surgir casos de gripe e diarreia na comunidade, mas de nada adiantou. Segundo o deputado Atanásio Duran, as Granjas Carroll haviam sido expulsas da Virgínia e da Carolina do Norte por danos ambientais. Dentro das normas do Nafta, puderam transferir-se, em 1994, para Perote, com o apoio do governo mexicano. Pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país. É o drama dos países dominados pelo neoliberalismo: sempre aceitam a podridão que mata.
O episódio conduz a algumas reflexões sobre o sistema agroindustrial moderno. Como a finalidade das empresas é o lucro, todas as suas operações, incluídas as de natureza política, se subordinam a essa razão. A concentração da indústria de alimentos, com a criação e o abate de animais em grande escala, mesmo quando acompanhada de todos os cuidados, é ameaça permanente aos trabalhadores e aos vizinhos. A criação em pequena escala – no nível da exploração familiar – tem, entre outras vantagens, a de limitar os possíveis casos de enfermidade, com a eliminação imediata do foco.
Os animais são alimentados com rações que levam 17% de farinha de peixe, conforme a Organic Consumers Association, dos Estados Unidos, embora os porcos não comam peixe na natureza. De acordo com outras fontes, os animais são vacinados, tratados preventivamente com antibióticos e antivirais, submetidos a hormônios e mutações genéticas, o que também explica sua resistência a alguns agentes infecciosos. Assim sendo, tornam-se hospedeiros que podem transmitir os vírus aos seres humanos, como ocorreu no México, segundo supõem as autoridades sanitárias.
As Granjas Carroll – como ocorre em outras latitudes e com empresas de todos os tipos – mantêm uma fundação social na região, em que aplicam parcela ínfima de seus lucros. É o imposto da hipocrisia. Assim, esses capitalistas engambelam a opinião pública e neutralizam a oposição da comunidade. A ação social deve ser do Estado, custeada com os recursos tributários justos. O que tem ocorrido é o contrário disso: os estados subsidiam grandes empresas, e estas atribuem migalhas à mal chamada "ação social". Quando acusadas de violar as leis, as empresas se justificam – como ocorre, no Brasil, com a Daslu – argumentando que custeiam os estudos de uma dezena de crianças, distribuem uma centena de cestas básicas e mantêm uma quadra de vôlei nas vizinhanças.
O governo mexicano pressionou, e a Organização Mundial de Saúde concordou em mudar o nome da gripe suína para Gripe-A. Ao retirar o adjetivo que identificava sua etiologia, ocultou a informação a que os povos têm direito. A doença foi diagnosticada em um menino de La Glória, ao lado das águas infectadas pelas Granjas Carroll, empresa norte-americana criadora de porcos, e no exame se encontrou a cepa da gripe suína. O resto, pelo que se sabe até agora, é o conluio entre o governo conservador do México e as Granjas Carroll – com a cumplicidade da OMS.


JORNAL DO BRASIL Sexta-feira, 01 de Maio de 2009 - 00:00