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(No más, a coisa ainda tá em construção...)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Cenário Eleitoral do Município de Ijuí - RS: Quem é quem... Quem não é ninguém.

Levados pela vontade ociosa da vida, pq não falar de política, que melhor falta do que fazer do que não fazer e falar falar falar.... ahahah. As coisas parecem mais estranhas do que nunca, o cenário eleitoral do município de Ijuí, uma cidade de mais ou menos 80 mil habitantes, localizada no noroeste gaúcho, tá esquisita... Hay algo de mui estranho no ar, mau cheiro, embrulhamento no estrombago, cabelo em pé, sorrisos maliciosos e caras de hipocrisia. Bem, qualquer cenário político nos causa a maioria destes sintomas, mais os calafrios e muita adrenalina. Política também é aventura, como um esporte radical que faz as veias do pescoço saltarem e nos provoca sensações de amor e ódio – vício e abstinência.Convidei um amigo economista e analista político para fazer algumas análises acerca do quadro eleitoral do município de Ijuí. Ele nos traz e nos trará, possíveis, construções daquilo que, aparentemente, vai configurar as eleições municipais de 2008. São idéias abertas para discussões futuras. Agradeço desde já ao Economista Fábio Lemes.
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Breve histórico
O município de Ijuí, historicamente foi polarizado por duas forças políticas, uma de corte mais conservador, que nas ultimas décadas se representava na ARENA e seus sucessores (atualmente o PP) e outra mais progressista, muito ligado ao trabalhismo, que hoje se expressa no PDT principalmente. Estas forças se expressavam na família Mânica, pelos conservadores e Burmann pelos trabalhistas. Ao longo dos anos 1980, surgem duas forças novas, com capacidade de rivalizar com as forças já constituídas. A partir do centro conservador, porém buscando atingir um perfil mais popular, fortalece-se o nome do deputado Perondi, pelo PMDB, embora o partido não tenha a mesma força. A outra novidade foi o surgimento da Frente Popular, reunindo PT e PCdoB, de inicio, com pouca força eleitoral, porém, em crescimento constante.
O PDT também evoluiu, especialmente no sentido de construir novas figuras, sendo o destaque para o atual prefeito, Valdir Heck, que hoje é sem duvida, o maior nome do partido no município. O campo mais conservador perdeu cada vez mais terreno, sendo que o PP nas ultimas eleições foi linha auxiliar da estratégia do PMDB. Contribuíram para esta situação, não só o falecimento de sua principal liderança, o ex-prefeito Mânica, como a maior responsabilidade pelo desastroso governo Ortiz, que foi fruto da aliança de todo campo conservador/clientelista do município (PP/PMDB/PTB) nas eleições de 1996.
Na época, acreditava-se que a derrota do PDT seria o inicio do retrocesso do partido no município, mas ao contrario, a vitória do PP (partido ao qual Ortiz era filiado) é que representou seu ocaso, que dura até agora, além de permitir o fortalecimento do nome de Valdir Heck, com mais de 24 mil votos nas eleições de 2000 e a reeleição em 2004.
A Frente Popular foi considerada, por muitos, a responsável pela derrota do PDT em 1996, justamente pelo seu crescimento eleitoral, para além dos setores ligados a universidade ou organizados nos movimentos sindicais. Em 2000, em um clima geral de Fora Ortiz (que desistiu de sua candidatura a reeleição em plena disputa) e um chamado ao voto útil no PDT, a Frente Popular apresentou candidatura própria mas não repetiu a boa votação anterior, o que levou um setor da Frente Popular, sobretudo o PCdoB e o PT Amplo (corrente interna do PT) a construírem estratégias de ampliação da base eleitoral.
O PCdoB, partido de pouca expressão no município, mas organizado e centralmente dirigido, apostou todas suas fichas na construção de uma figura pública de expressão popular. Conseguiu fazer Junior Piaia, militante criado dentro do partido, tornar-se uma referência, sendo o vereador mais votado em 2000. Seguindo a mesma política, em 2004 Piaia foi o candidato da Frente Popular, em um processo de difícil aceitação pelo PT, que sempre havia apresentado candidatos a prefeito e vice. Dentro das orientações nacionais do PT, a coligação deu-se também com PL, (atual PR), e houveram conversações com diversos outros partidos no município, sendo que a entrada do PTB chegou a ser aprovada em reunião da Frente Popular, porém este partido dividiu-se e por uma pequena maioria manteve sua coligação com PMDB e PP. O próprio PP estava disposto a inserir-se na Frente Popular. O PT, na convenção municipal que formalizou a candidatura Piaia, teve que deliberar sobre uma proposta da executiva, de deixar em aberto a entrada do PP na Frente Popular. Na época, esta possibilidade foi rejeitada.
O campo conservador adotou a estratégia de buscar descontentes dentro do PDT. Esta estratégia se concretizou pela adesão de Edson Burmann ao PMDB, sendo este o candidato a prefeito, na coligação com PTB e PP em 2000. No entanto, esperava-se que esta composição tendo a frente um Burmann fizesse uma votação melhor, porém, estes partidos diante da impossibilidade de vencer, ficaram paralisados, pois qualquer movimento que faziam beneficiava a Frente Popular. Se conquistavam votos, diminuíam a vantagem do PDT em relação a Piaia, se criticassem o PDT, mesmo que criticando a FP, ainda assim somavam ao sentimento de mudança, que beneficiava Piaia. Por isso, conscientes ou inconscientemente, deixaram a campanha morrer.
Outras forças políticas movimentam-se entre estes campos, porém poucas têm alguma influencia de fato na política local, especialmente a partir de 2004, quando a bancada na Câmara reduziu-se de 21 para 10 vereadores. Apenas os partidos com maior capacidade eleitoral conseguem atrair figuras públicas com votos. O símbolo disso foi o fracasso da candidatura de Luchesse, pelo PPS, em 2004, que fez menos de 1000 votos. Mas este partido continua tentando sobreviver no cenário eleitoral. Outro partido que buscou se organizar é o PSB, que vem realizando uma série de encontros nos últimos três anos, e teve adesão de um setor importante, antes ligado ao PT. O PSDB também vem buscando se oxigenar, atrair lideranças, sobretudo do setor empresarial, mas sua estratégia está mais vinculado a sustentação do governo estadual. PR em Ijuí, até prova em contrário, não passa de uma legenda de aluguel, que hora esta a serviço da candidatura Piaia.
Importante lembrar que mesmo partidos “sem votos”, como PSB, PSDB, PPS, PR, são importantes porque dispõem de tempo na programação eleitoral, pois este tempo é definido pelas bancadas de deputados federais dos partidos, o que os torna importantes no tabuleiro das decisões.

Conjuntura no final de 2007
No momento, o que pode-se observar é que o PDT esta consciente de que poderá perder estas eleições, e portanto, esta unido em torno do atual vice-prefeito, Fiorovante Balin.
A formação histórica e programática da Frente Popular não existe mais. O nome de Piaia se consolidou como a principal alternativa ao PDT em Ijuí, sendo que o PCdoB busca formar um Frentão, reunindo PMDB, PT, PR, PTB e quem mais quiser aderir. Não há linhas programáticas na composição desta Frente, tudo dependerá das exigências e ajustes produzidos no próprio processo de negociação. No PT, em tese não há nenhum problema nesta política, não só porque todos estes partidos são da base de apoio do Governo Lula, como porque o PT acredita que pode hegemonizar uma coligação destas, por possuir quadros partidários mais qualificados e por suas relações privilegiadas no Governo Federal.
O problema deste Frentão esta justamente no ajuste entre as demandas e as possibilidades de cada partido. A candidatura a prefeito não se discute, caberá a Piaia, afinal ele é o elemento de unidade da formação. Porém, o PT não abre mão do vice. O PMDB também disputa esta vaga e apresenta o argumento de que Piaia representa o setor mais a “esquerda” e que, portanto caberia a um partido de “centro” ficar com a vice. O PCdoB tem simpatizado com esta composição, justamente porque desta forma, além de assegurar a existência do Frentão, poderia contar efetivamente com o PMDB na campanha – leia-se Perondi, do contrário, o partido poderia apoiar formalmente, mas na prática, trabalhar apenas pelos candidatos a vereadores. Importante registrar que o PMDB conquistou outro Brumann, Sergio, atual vereador pelo partido e pela família, que entrou em choque com Valdir Heck.
O problema do Frentão é que o PCdoB subestimou o PT. Primeiro, não conseguiu convencer nenhum setor petista em apoio a sua estratégia, segundo, ignorou o sentimento que a base de filiados petistas tem em relação a Piaia, pois muitos acreditam que o PT serviu de escada para Piaia crescer. Em função disto, o PT buscou alternativas, que se expressaram nas recentes prévias do partido, com dois nomes disputando a indicação para prefeito, pelo menos formalmente. Mas na verdade a disputa era de duas estratégias distintas, Bira, representando o setor mais a esquerda do partido, defende que ou o PT é vice de Piaia ou concorre com chapa própria. Liti defendia que ou o PT era vice de Piaia ou do PDT. Isto porque PT e PDT já buscaram discutir esta possibilidade e não pode ser totalmente descartada, embora no momento, a vitória de Bira dificulte este cenário.
Além destes dois campos, a novidade do processo é que o PP busca se rearticular, apresentando Marcos Ferreira, atual presidente do Sindilojas, nome ainda não testado nas urnas, porém, vem despontando como liderança carismática e atuante. É cedo demais para saber-se se o PP levará adiante esta candidatura própria, mas dentre os nomes colocados é o único que de fato pode influenciar o processo eleitoral, pois se for realmente candidato e for bem votado, pode dar uma sobrevida ao PP no município, sem contar que seus votos poderão complementar ou atrapalhar a estratégia do Frentão.
Outra alternativa não descartável é que Marcos Ferreira venha a ser vice de Piaia, em uma composição PCdoB/PP/PMDB/PR. Neste caso, em prevalecendo o decisão atual do PT, este teria Bira como candidato a prefeito, talvez com apoio do PSB. No PDT, o mais provável é, além de Balin candidato a prefeito, que o vice seja do mesmo partido. Entre os nomes cogitados estão Ebraim El Amar ou Juçara Heck, atual primeira-dama.
Outros partidos podem apresentar candidaturas próprias ou aliar-se a estes ou aqueles candidatos, mas os principais nomes e forças políticas no processo serão estes apresentados. O grande problema esta no PCdoB conseguir de fato construir este Frentão, sendo que o PDT poderá buscar diversos meios de romper a unidade em torno de Piaia.
Estes cenários são mais um retrato das possibilidades desenhadas pela conjuntura neste momento, sem juízo de valor entre elas. Devemos aprofundar o entendimento deste quadro geral de alternativas e depois iniciar uma avaliação do que elas representam, para categorias como “o município”, “o desenvolvimento”, “o povo”, “a esquerda” entre outras.


Fabio Lemes, Economista e Mestrando em Desenvolvimento - UNIJUÍ
Ijuí, 11 de dezembro de 2007

domingo, 9 de dezembro de 2007

Jardineiros plantam maconha em convento na Grécia


Encontrei essa notícia e não resisti, a melhor do ano... Muito foda! Só fiquei imaginando as freiras entre os pezinhos singelos de maconha.... Fez-me lembrar do filme "Maus Hábitos" de Pedro Almodóvar - 1983. Quem nunca viu veja!
Depois de tanto tempo sem postar.... Agora postei em homenagem as freiras!Valeu!


Dois homens estão sendo procurados pela polícia por plantar mais de 30 pés de maconha no jardim de um convento de freiras, no vilarejo de Filiro, na Grécia. Eles se ofereceram para trabalhar como jardineiros no local. As religiosas, em sua maioria, idosas, desconheciam a real intenção dos criminosos.
Segundo o site Metro, uma denúncia anônima levou os policiais ao convento da Igreja Católica Ortodoxa. "Os homens falaram a duas freiras idosas que gostariam de ajudá-las a cuidar das plantas, mas tinham o objetivo de plantar maconha", disse o porta-voz da polícia.
"As religiosas pensaram que os pés da droga eram plantas decorativas", afirmou. A polícia acredita na inocência das freiras e está à procura dos criminosos.

Redação Terra - Dez. 09.2007.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

TROPA DE ELITE: A CRIMINALIZAÇÃO DA POBREZA!

Eu sei que o texto é muito longo, mas vale a pena ler!
(Ivan Pinheiro)
"Homem de preto. Qual é sua missão?É invadir favelaE deixar corpo no chão"(refrão do BOPE)Não dá cair no papo furado de que "Tropa de Elite" é "arte pura" ou "obra aberta". Um filme sobre questões sociais não podia ser neutro. Trata-se de uma obra de arte objetivamente ideológica, de caráter fascista, que serve à criminalização e ao extermínio da pobreza. É possível até que os diretores subjetivamente não quisessem este resultado, mas apenas ganhar dinheiro, prestígio e, quem sabe, um Oscar. Vão jurar o resto da vida que não são de direita. Aliás, você conhece alguém no Brasil, ainda mais na área cultural, que se diga de direita? Como acredito mais em conspirações do que no acaso, não descarto a hipótese de o filme ter sido encomendado por setores conservadores. Estou curioso para saber quais foram os mecenas desta caríssima produção, que certamente foi financiada por incentivos fiscais. O filme tem objetivos diferentes, para públicos diferentes. Para os pobres das comunidades carentes, o objetivo é botar mais medo ainda na "caveira" (o BOPE, os "homens de preto"). O vazamento escancarado das cópias piratas talvez seja, além de uma estratégia de marketing, parte de uma campanha ideológica. A pirataria é a única maneira de o filme ser visto pelos que não podem pagar os caros ingressos dos cinemas. Aliás, que cinemas? Não existe mais um cinema nos subúrbios, a não ser em shopping, que não é lugar de pobre freqüentar, até porque se sente excluído e discriminado. No filme, os "caveiras" são invencíveis e imortais. O único que morre é porque "deu mole". Cometeu o erro de ir ao morro à paisana, para levar óculos para um menino pobre, em nome de um colega de tropa que estava identificado na área como policial. Resumo: foi fazer uma boa ação e acabou assassinado pelos bandidos. Para as classes médias e altas, o objetivo do filme é conquistar mais simpatia para o BOPE, na luta dos "de cima", que moram embaixo, contra os "de baixo", que moram encima. Os "homens de preto" são glamourizados, como abnegados e incorruptíveis. Apesar de bem intencionados e preocupados socialmente, são obrigados a torturar e assassinar a sangue frio, em "nosso nome". Para servir à "nossa sociedade", sacrificam a família, a saúde e os estudos. Nós lhes devemos tudo isso! Portanto, precisam ser impunes. Você já viu algum "caveira" ser processado e julgado por tortura ou assassinato? "Caveira" não tem nome, a não ser no filme. A "Caveira" é uma instituição, impessoal, quase secreta. Há várias cenas para justificar a tortura como "um mal necessário". Em ambas, o resultado é positivo para os torturadores, ou seja, os torturados não resistem e "cagüetam" os procurados, que são pegos e mortos, com requintes de crueldade. Fica outra mensagem: sem aquelas torturas, o resultado era impossível. Tudo é feito para nos sentirmos numa verdadeira guerra, do bem contra o mal. É impossível não nos remetermos ao Iraque ou à Palestina: na guerra, quase tudo é permitido. À certa altura, afirma o narrador, orgulhoso : "nem no exército de Israel há soldados iguais aos do BOPE".Para quem mora no Rio, é ridículo levar a sério as cenas em que os "rangers" sobem os morros, saindo do nada, se esgueirando pelas encostas e ruelas, sem que sejam percebidos pelos olheiros e fogueteiros das gangues do varejo de drogas! Esta manipulação cumpre o papel de torná-los ainda mais invencíveis e, ao mesmo tempo, de esconder o estigmatizado "Caveirão", dentro do qual, na vida real, eles sobem o morro, blindados. O "Caveirão", a maior marca do BOPE, não aparece no filme: os heróis não podem parecer covardes! O filme procura desqualificar a polêmica ideológica com a esquerda, que responsabiliza as injustiças sociais como causa principal da violência e marginalidade. Para ridicularizar a defesa dos direitos humanos e escamotear a denúncia do capitalismo, os antagonistas da truculência policial são estudantes da PUC, "despojados de boutique", que se dão a alguns luxos, por não terem ainda chegado à maioridade burguesa. Os protestos contra a violência retratados no filme são performances no estilo "viva rico", em que a burguesia e a pequena-burguesia vão para a orla pedir paz, como se fosse possível acabar com a violência com velas e roupas brancas, ou seja, como se tratasse de um problema moral ou cultural e não social. A burguesia passa incólume pelo filme, a não ser pela caricatura de seus filhos que, na Faculdade, fumam um baseado e discutem Foucault. Um personagem chamado "Baiano" (sutil preconceito) é a personificação do tráfico de drogas e de armas, como se não passasse de um desses meninos pobres, apenas mais espertos que os outros, que se fazem "Chefe do Morro" e que não chegam aos trinta anos de idade, simples varejistas de drogas e armas, produtos dos mais rentáveis do capitalismo contemporâneo. Nenhuma menção a como as drogas e armas chegam às comunidades, distribuídas pelos grandes traficantes capitalistas, sempre impunes, longe das balas achadas e perdidas. E ainda responsabilizam os consumidores pela existência do tráfico de drogas, como se o sistema não tivesse nada a ver com isso! O Estado burguês também passa incólume pelo filme. Nenhuma alusão à ausência do Estado nas comunidades carentes, principal causa do domínio do banditismo. Nenhuma denúncia de que lá falta tudo que sobra nos bairros ricos. No filme, corrupção é um soldado da PM tomar um chope de graça, para dar segurança a um bar. Aliás, o filme arrasa impiedosamente os policiais "não caveiras", generalizando- os como corruptos e covardes, principalmente os que ficam multando nossos carros e tolhendo nossas pequenas transgressões, ao invés de subirem o morro para matar bandido. A grande sacada do filme é que o personagem ideológico principal não é o artista principal. Este, branco, é o que mais mata. Ironicamente, chama-se Nascimento. É um tipo patológico, messiânico, sanguinário, que manda um colega matar enquanto fala ao celular com a mulher sobre o nascimento do filho. Mas para fazer a cabeça de todos os públicos, tanto os "de cima" como os "de baixo", o grande e verdadeiro herói da trama surge no final: Thiago, um jovem negro, pacato, criado numa comunidade pobre, que foi trabalhar na PM para custear seus estudos de Direito, louco para largar aquela vida e ser advogado. Como PM, foi um peixe fora d'água: incorruptível, respeitava as leis e os cidadãos. Generoso, foi ele quem comprou os óculos para dar para o menino míope. Sua entrada no BOPE não foi por vocação, mas por acaso. Para ficar claro que não há solução fora da repressão e do extermínio e que não adianta criticar nem fazer passeata, pois "guerra é guerra", nosso novo herói se transforma no mais cruel dos "caveiras" da tropa da elite, a ponto de dar o tiro de misericórdia no varejista "Baiano", depois que este foi torturado, dominado e imobilizado. Para não parecer uma guerra de brancos ricos contra negros pobres, mas do bem contra o mal, o nosso herói é um "caveira" negro, que mata um bandido "baiano", de sua própria classe, num ritual macabro para sinalizar uma possibilidade de "mobilidade social", para usar uma expressão cretina dos entusiastas das "políticas compensatórias" . A fascistização é um fenômeno que vem sendo impulsionado pelo imperialismo em escala mundial. A pretexto da luta contra o terrorismo, criminalizam- se governos, líderes, povos, países, religiões, raças, culturas, ideologias, camadas sociais. Em qualquer país em que "Tropa de Elite" passar, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, o filme estará contribuindo para que a sociedade se torne mais fascista e mais intolerante com os negros, os imigrantes de países periféricos e delinqüentes de baixa renda. No Brasil, a mídia burguesa há muito tempo trabalha a idéia de que estamos numa verdadeira guerra, fazendo sutilmente a apologia da repressão. Sentimos isso de perto. Quantas vezes já vimos pessoas nas ruas querendo linchar um ladrão amador, pego roubando alguma coisa de alguém? Quantas vezes ouvimos, até de trabalhadores, que "bandido tem que morrer"? Se não reagirmos, daqui a pouco a classe média vai para as ruas pedir mais BOPE e menos direitos humanos e, de novo, fazer o jogo da burguesia, que quer exterminar os pobres, que só criam problemas e ainda por cima não contam na sociedade de consumo. Daqui a pouco, as milícias particulares vão se espalhar pelo país, inspiradas nos heróicos "homens de preto", num perigoso processo de privatização da segurança pública e da justiça. Não nos esqueçamos do modelo da "matriz": hoje, os mais sanguinários soldados americanos no Iraque são mercenários recrutados por empresas particulares de segurança, não sujeitos a regulamentos e códigos militares. Parafraseando Bertolt Brecht, depois vai sobrar para nós, que teimamos em lutar contra o fascismo e a barbárie, sonhando com um mundo justo e fraterno. A trilha sonora do filme já avisou: "Tropa de Elite,Osso duro de roer,Pega um, pega geral.Também vai pegar você!"-- Lisandro"O que é, exatamente por ser tal como é, não vai ficar tal como está." (Brecht)

domingo, 21 de outubro de 2007

Tarefa (Poesia de Geir Campos)

Morder o fruto amargo e não cuspir
mas avisar aos outros quanto é amargo,
cumprir o trato injusto e não falhar
mas avisar aos outros quanto é injusto,
sofrer o esquema falso e não ceder
mas avisar aos outros quanto é falso;
dizer também que são coisas mutáveis...
E quando em muitos a noção pulsar
— do amargo e injusto e falso por mudar —
então confiar à gente exausta o plano
de um mundo novo e muito mais humano.

_Geir Campos_
http://www.releituras.com/geircampos_menu.asp

O que é ombudsman?

Ombudsman é uma palavra sueca que significa representante do cidadão. Designa, nos países escandinavos, o ouvidor-geral -função pública criada para canalizar problemas e reclamações da população. Na imprensa, o termo é utilizado para designar o representante dos leitores dentro de um jornal. A função de ombudsman de imprensa foi criada nos Estados Unidos nos anos 60. Chegou ao Brasil num domingo, dia 24 de setembro de 89, quando a Folha, numa decisão inédita na história do jornalismo latino-americano, passou a publicar semanalmente a coluna de seu ombudsman.
A Folha examinava a criação do cargo desde 1986, motivada pelo sucesso das experiências do diário espanhol "El País" e do norte-americano "The Washington Post". O jornal assumiu o objetivo de ter seu próprio ombudsman, um profissional dedicado a receber, investigar e encaminhar as queixas dos leitores; realizar a crítica interna do jornal e, uma vez por semana, aos domingos, produzir uma coluna de comentários críticos sobre os meios de comunicação -na qual a Folha deveria ser um dos alvos privilegiados.
Para exercer o cargo com independência, o jornal instituiu o mandato de um ano para cada ombudsman, com a possibilidade de apenas uma única renovação de mais um ano. Essa possibilidade, posteriormente, foi expandida, para duas renovações (três anos de mandato). O profissional não pode ser demitido durante o mandato e tem estabilidade de mais seis meses no jornal após deixar a função.
O atual ombudsman da Folha de S.Paulo é Mário Magalhães.

sábado, 13 de outubro de 2007

Diretor de 'Tropa de Elite' pode ser preso

O diretor de cinema José Padilha poderá ser preso caso se recuse a prestar depoimento no Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado para apurar a possível participação de policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) no filme Tropa de Elite.
A assessoria do cineasta informou que ele não vai depor por recomendação do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que teria considerado a intimação uma "inibição despropositada".
A assessoria de imprensa do Palácio Guanabara confirmou a informação, mas ressaltou que Cabral não pretende interferir nas investigações da PM.
A assessoria de imprensa da Polícia Militar (PM) informou que caberá ao juiz que for tomar o depoimento do cineasta na Auditoria da Justiça Militar expedir o mandado de prisão, intimado em caráter obrigatório. A data do depoimento não foi informada.
Na última quinta-feira, Rodrigo Pimentel, capitão reformado do Bope e um dos roteiristas do filme, também adiantou que não vai depor caso seja intimado. O comandante-geral da PM, coronel Ubiratan Angelo, não quis comentar o assunto, explicando que as investigações ainda estão em andamento. Nesta sexta-feira, o corregedor da instituição, coronel Paulo Ricardo Paúl, em seu blog na Internet, comentou a decisão tomada por Padilha e Pimentel.
"Não existe democracia sem respeito às leis. Espero que as testemunhas intimadas compareçam e prestem todos os esclarecimentos necessários à boa instrução do IPM. É dever de todo cidadão colaborar com a Justiça Comum ou Militar. E nunca é demais lembrar o ditado popular: Quem não deve não teme", escreveu Paúl. O corregedor disse que caberá ao coronel Ubiratan "tomar as decisões cabíveis" quando o inquérito for concluído.
O Dia